Press release
UFMG e Fundep assinam convênio com Ecovec para pesquisa para o combate à dengue
EcovecCom aporte total de R$250 mil, empresa mineira especializada no combate à dengue investe no aprimoramento de técnicas de detecção dos sorotipos da doença; conhecimento será a chave para combate mais efetivo e de baixo custo
A Ecovec, empresa mineira de biotecnologia especializada no combate à dengue, firmou com a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) convênio de cooperação para o desenvolvimento de pesquisa para a identificação dos subtipos do vírus da dengue em 25 municípios mineiros. O acordo visa ao melhoramento dos processos utilizados atualmente reduzindo o tempo e os recursos gastos com o procedimento, que é parte fundamental do MI-Dengue – tecnologia de captura, monitoramento e combate à doença.
Por meio do convênio, três novos bolsistas passam a integrar, a partir deste mês, a equipe coordenada pelo professor e pesquisador em Genética Molecular da UFMG, Álvaro Cantini. As vagas são destinadas a um técnico em biotecnologia, um biólogo formado e um mestre com especialização na área. Eles atuarão no laboratório de análise virológica mantido de forma conjunta pela Ecovec e a UFMG. Por enquanto, os profissionais ficarão alocados na estrutura da universidade, mas a expectativa é que passem a atuar em breve no laboratório montado pela Ecovec no BHTec, o parque tecnológico de Belo Horizonte. Ao todo, o investimento com infraestrutura e equipe chega a R$250 mil.
Segundo o diretor da Ecovec, Luís Felipe Barroso, a parceria é mais um importante passo no trabalho conjunto que a empresa e a universidade vêm desenvolvendo. “A tecnologia do MI-Dengue nasceu dentro da UFMG e foi levada ao mercado pela Ecovec com o objetivo de devolver para a sociedade o conhecimento gerado na academia”, explica. “O vínculo contínuo entre empresa e universidade é fundamental para continuar gerando inovação e permitir que disponibilizemos uma solução cada vez mais acessível e eficiente, capaz de se traduzir em ganhos significativos na saúde pública”.
O trabalho que passa a ser desenvolvido nessa nova fase busca reduzir o percurso na forma como é feita a identificação dos sorotipos da dengue. Atualmente, é preciso cumprir cerca de cinco etapas para chegar até essa informação, o que se traduz em um processo complexo e dispendioso em termos de tempo e dinheiro. Com os estudos desenvolvidos no laboratório, esse número deve cair para três. No contexto da empresa, isso significa que será possível oferecer um atendimento mais barato. “Manter baixo o custo do MI-Dengue é fundamental, já que lidamos com recursos públicos e parte importante dos nossos serviços é oferecida aos governos no combate à doença em estados e municípios”, afirma Barroso.
Tecnologia desenvolvida a partir de pesquisa do Departamento de Parasitologia do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG, o MI-Dengue já foi implantado em mais de 50 cidades brasileiras – além de Austrália e Cingapura – desde 2005. O sistema foi escolhido pelo prêmio internacional Tech Museum Awards, na categoria Saúde em Benefício da Humanidade. Hoje são quase 3 milhões de pessoas beneficiadas. Dois terços desse total encontram-se em Minas Gerais, estado que se tornou case de sucesso do trabalho da Ecovec.
A adoção do MI-Dengue no estado, em março de 2009, contemplou 26 municípios prioritários. Em 2010, durante a pior epidemia registrada na história de Minas, somente 15 cidades conseguiram reduzir a incidência de dengue; dessas, seis possuem o MI-Dengue. Numa análise de projeção de casos, os resultados mostram que, em 30% dos municípios que adotaram o MI-Dengue, houve sucesso na redução de casos, enquanto no restante do estado apenas 5,5% tiveram o mesmo resultado. Foi registrado um aumento de cerca de cinco vezes no número de casos notificados em Minas Gerais; nas cidades monitoradas pelo MI-Dengue, o aumento foi de até duas vezes. Mesmo com o dobro de casos notificados, as cidades onde o MI-Dengue foi implantado não registraram o aumento no número de óbitos em relação ao ano de 2009; em 2011, não houve mortes nessas mesmas cidades.
Além de prestar serviços diretamente para os governos, a Ecovec tem trabalhado em parceria com empresas privadas atentas à qualidade de vida para seus profissionais e as comunidades onde atuam. Ao incluírem o combate ao vírus na pauta de ações de responsabilidade social, elas colaboram com as prefeituras e ganham em imagem e relacionamento com a comunidade. Um exemplo de participação do setor privado no combate à doença está no município de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. Depois de diversos anos com epidemias sazonais, a contaminação atingiu o auge em 2007, com 3.438 pessoas afetadas. A partir desse ano, a Votorantim Celulose e Papel, atualmente Fibria, decidiu financiar por tempo indeterminado a implantação de ações desenvolvidas pela Ecovec no município, com o objetivo de contribuir com as iniciativas do setor público. Após o início da parceria, em 2008, houve apenas 15 casos da doença e, nos anos seguintes, a dengue não atingiu mais números tão alarmantes.
Como é a tecnologia
O MI-Dengue é uma tecnologia premiada internacionalmente que consiste em um conjunto de ferramentas que monitora a população adulta do Aedes aegypti e a presença do vírus circulante da dengue e seus subtipos. O sistema apresenta informações de campo atualizadas em tempo real, formatadas em mapas de infestação e tabelas de incidência, tudo pela internet. Também faz análises de DNA/RNA nos insetos capturados para saber se estão infectados e com qual sorotipo de dengue, antes do surgimento de uma epidemia.
Esses recursos permitem uma análise de situação mais apurada e objetiva para que as Secretarias de Saúde e Centros de Epidemiologia preparem planos de ação objetivos e intensifiquem os trabalhos de controle e bloqueio de transmissão em tempo hábil. A solução é uma alternativa mais barata e eficiente em relação ao controle de larvas feito com base na busca de possíveis criadouros do inseto – um método trabalhoso e demorado. Com os novos estudos que passam a ser realizados sob a coordenação do professor Álvaro Cantini, o MI-Dengue tende a se mostrar ainda mais competitivo e eficiente.
Os resultados obtidos através do MI-Dengue podem ser vistos em poucos dias, o que permite uma avaliação constante dos métodos aplicados. A pesquisa e desenvolvimento do sistema tem o apoio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Dengue (INCT-D), UFMG, FAPEMIG, SEBRAE-MG e parque tecnológico de Belo Horizonte (BHTec), está sendo criado o maior laboratório de diagnósticos de vetores da dengue das Américas.
Sobre a Ecovec
A Ecovec é uma empresa de biotecnologia com atuação pioneira no mundo e envolvimento na aplicação de novas tecnologias voltadas a saúde e bem-estar. No mercado desde 2002, especializou-se na pesquisa e desenvolvimento de produtos e serviços de inteligência, e suas aplicações para o monitoramento de vetores e gestão em saúde. Sua equipe é formada por especialistas de diversas áreas integrados num ambiente que fomenta a cultura da inovação. A empresa já monitorou mais de 50 municípios, protegendo mais de três milhões de brasileiros por meio de ações preventivas. Foi criada a partir do programa Fundo Verde Amarelo, da FINEP, que fomenta a cooperação universidade-empresa e, com a ajuda da FAPEMIG, FINEP, CNPq e SEBRAE, a Ecovec tem no seu capital social a responsabilidade de devolver à população os resultados do seu trabalho.